Bartolomé Navarro, presidente da Federação Múrcia das Guildas de Pescadores, alertou para a comercialização de espécies como a garoupa e o badejo com tamanhos inferiores aos permitidos pela regulamentação europeia. Por exemplo, a garoupa, que deve medir pelo menos 45 centímetros, é encontrada nos mercados com tamanhos de apenas 20 ou 25 centímetros. Da mesma forma, o badejo, cujo comprimento mínimo permitido é de 20 centímetros, é importado nos tamanhos de 10 a 13 centímetros. Navarro sublinha que é inaceitável que os pescadores locais sejam obrigados a cumprir estas regras, permitindo ao mesmo tempo a entrada de produtos que não as respeitam.
Além das preocupações com o tamanho, a qualidade do peixe importado também é uma preocupação. Navarro alerta que muitos destes produtos chegam eviscerados para prolongar a sua frescura, mas a captura pode demorar mais de cinco dias, o que representa um risco para a saúde pública e uma situação inaceitável para os consumidores.
A falta de controlos eficazes sobre os produtos importados é outro ponto crítico. Segundo Navarro, os fiscais fiscalizam apenas o pescado nacional, deixando os produtos estrangeiros fora do radar. Ele enfatiza que deveriam controlar todos os peixes, sancionar irregularidades e garantir a segurança alimentar, pois não é justo que os pescadores locais sejam penalizados enquanto o produto estrangeiro entra sem problemas.
Perante esta situação, o Governo de Espanha está a trabalhar para encontrar soluções. Luis planas, Ministro da Agricultura e Pescas, reuniu-se com as comunidades autónomas do Mediterrâneo para abordar possíveis medidas. Entre as propostas destacam-se a revisão das quotas de pesca europeias e a atualização dos estudos sobre os pesqueiros, uma vez que alguns dados atuais estão desatualizados. Sara Rubira, Ministra das Pescas de Múrcia, garante que as condições do Mediterrâneo melhoraram e que é possível aplicar regulamentações mais flexíveis.
Entre o final de 2024 e o início de 2025, os pescadores murcianos organizaram greves para tornar o problema visível. Durante estes protestos, mercados como Verónicas em Múrcia ou Santa Florentina em Cartagena procuraram alternativas noutros mercados do Mediterrâneo, como Alcantarilla.
O problema também se estende ao setor agrícola. Segundo o Coordenador das Organizações de Agricultores e Pecuários (COAG), as importações de frutas e vegetais de Marrocos cresceram 30% em outubro de 2024 em comparação com o ano anterior. O caso do tomate é especialmente preocupante, uma vez que se estima que os limites estipulados no acordo de comércio livre com a UE tenham sido ultrapassados, gerando uma fraude fiscal superior a 71 milhões de euros.
Com estas reclamações, o setor pesqueiro espanhol exige medidas urgentes para garantir uma concorrência leal e a segurança alimentar dos consumidores. A implementação de controlos mais rigorosos e a revisão dos acordos comerciais com países terceiros apresentam-se como ações necessárias para proteger a indústria pesqueira nacional e garantir o cumprimento da regulamentação europeia.